Produções

Artigos em Periódicos

Inteligência Artificial: educação, conhecimento e ideologia

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Cristiane Costa Dias

Este artigo reflete sobre  a  Inteligência  Artificial  (IA)  como  uma  tecnologia  de  linguagem,  com  suas  especificidades  e seus  efeitos  sobre  aquilo  que  entendemos  em  análise  de  discurso  como  interpretação,  processo  no qual a escrita  e a leitura estão implicados de modo incontornável. Para atingir  o objetivo  proposto  e compreender os efeitos da IA nas formas de interpretação, esse artigo vai analisar dizeres sobre e da IA, relativamente ao processo de formação profissional, pela educação superior, levando em conta as filiações discursivas e ideológicas das posições-sujeito nesses dizeres.

AI policy debates in Brazil: struggles over regulation, governance and labour

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Rafael Grohmann, Edemilson Paraná, Jonas Valente e Roseli Figaro

Este artigo explora o panorama das políticas de inteligência artificial no Brasil sob a ótica da regulação, do desenvolvimento e da governança, evidenciando as disputas de poder entre grandes empresas de tecnologia, indústria nacional, sindicatos e sociedade civil. Argumenta que, embora o Plano Nacional de Inteligência Artificial (2024–2028) busque fomentar a inovação e a soberania digital, as questões trabalhistas e os direitos dos trabalhadores permanecem marginalizados, configurando a governança da IA como um campo político sobre quem se beneficia da IA e sob quais termos, e aponta a necessidade de modelos participativos que priorizem a justiça social e a proteção trabalhista no contexto latino-americano.

Sovereignty-as-a-service: How big tech companies co-opt and redefine digital sovereignty

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Rafael Grohmann e Alexandre Costa Barbosa

Este artigo introduz o conceito de soberania como serviço para descrever como Microsoft, Amazon e Google/Alphabet estão redefinindo estrategicamente a soberania digital por meio da infraestrutura em nuvem. A partir da análise crítica do discurso de materiais oficiais (2022–2023), o texto mostra como estas grandes empresas de tecnologia respondem às pressões regulatórias, especialmente na Europa, com soluções modulares e de marca própria que enquadram a soberania como questão técnica, jurídica e infraestrutural. Assim, em vez de ser exercida sobre as plataformas, a soberania passa a ser fornecida por elas, configurando uma captura discursiva que esvazia o conceito e o alinha à Ideologia Californiana, tornando a soberania digital um serviço a ser comprado, configurado e otimizado em plataformas proprietárias.

Latin American critical data studies

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Rafael Grohmann

Esta edição especial parte do fortalecimento dos estudos críticos de dados do Sul Global para problematizar as disputas de poder, a produção de conhecimento e a política dos dados, evitando a essencialização do “Sul Global” ao centrar a América Latina como espaço de elaboração teórica, metodológica e empírica. Em diálogo com capitalismo, colonialidade e teoria da dependência, os artigos exploram a heterogeneidade e as tradições intelectuais da região, afirmando suas contribuições epistemológicas para os debates sobre datificação, poder e inteligência artificial.

Labor-atories of Digital Economies: Latin America as a Site of Struggles and Experimentation

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Rafael Grohmann

Este artigo argumenta que os desenvolvimentos e as lutas do trabalho digital constituem laboratórios das economias digitais na América Latina, nos quais o capital experimenta e atualiza formas de controle e exploração ao longo da informalidade e da dependência, enquanto os trabalhadores testam formas de organização e coletividade ancoradas nas histórias latino-americanas de economias solidárias e tecnologias comunitárias. A partir da centralidade das relações capital-trabalho, desenvolve quatro reflexões: a América Latina como mais que campo de pesquisa; a atualização da informalidade no contexto da inteligência artificial; as implicações globais do trabalho com dados, das cadeias de valor da IA e do setor cultural; e as economias solidárias digitais como resposta baseada em soberania e autonomia digitais.

Atenção, dados e poder: uma análise crítica da infodemia e da desinformação

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Luis Gonçalves, Leandro Modolo e Leonardo Castro

A partir da leitura crítica da Sistematização das Contribuições à Consulta sobre Regulação de Plataforma, neste artigo argumentamos que o debate sobre infodemia e desinformação deve ser ampliado para além de suas implicações imediatas. Partimos da problematização dos conceitos de infodemia e desinformação, e noções associadas, tais como os sistemas de crenças, para reenquadrá-los em um contexto sócio-histórico mais amplo, em diálogo com os conceitos de economia da atenção e capitalismo de plataformas. Argumentamos que a infodemia e a desinformação são aspectos determinantes da economia digital contemporânea, e não simplesmente falhas de mercado. Assim, o texto explora como a infodemia e a desinformação se entrelaçam com o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) e a produção massiva de dados digitais, configurando “rotas de suprimento” de dados para o treinamento de IA. Conclui-se que o enfrentamento a esses problemas deve considerar sua inserção em estruturas econômicas mais amplas do capitalismo de plataforma, sugerindo que abordagens limitadas às dimensões regulatórias ou técnicas podem ser insuficientes

Imagens de controle como mecanismo de manutenção do racismo algorítmico

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Carina Cristina do Nascimento, Danielli Santos da Silva, Helerson de Almeida Balderramas, Juarez Tadeu de Paula Xavier e Vânia Cristina Pires Nogueira Valente

O trabalho parte das pré-condições sócio-históricas do Brasil, marcadas pelo processo de escravização e pela constituição do estado patriarcal capitalista segregacionista supremacista racial branco, base do racismo que valoriza a população branca e degrada as condições da população negra por meio de representações sociais perversas e mecanismos de violação de corpos negros. Ao compreender as imagens de controle como centrais no racismo sistêmico e estrutural também no ambiente digital, o estudo analisa sua influência na construção de algoritmos e na reapresentação de mulheres negras, propondo um processo metódico de pesquisa ancorado em auditorias algorítmicas com abordagem interseccional.

Plataformas digitais: o retrato contemporâneo da exploração no trabalho e os desafios à saúde do trabalhador

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Julice Salvagni, Marília Veríssimo Veronese e Roseli Figaro

Este artigo identifica estudos sobre o trabalho na economia de plataforma quanto às consequências da gestão algorítmica, financeirização e dataficação para a saúde dos trabalhadores, por meio de revisão integrativa da literatura em saúde ocupacional publicada em revistas brasileiras (2017–2022), com buscas no Portal de Periódicos da Capes e no SciELO. Dos 324 artigos encontrados, 10 atenderam aos critérios e evidenciam que o trabalho plataformizado dissimula relações de produção assimétricas, simula vínculos entre “parceiros” para se eximir dos direitos do trabalho decente e intensifica controle, exploração, subsunção, insegurança e perda de sentido do trabalho, produzindo agravos à saúde física e mental e indicando a necessidade de novas pesquisas e de políticas de regulação do setor.

Competência em Informação (COINFO) no cotidiano escolar: Diretrizes para o aprimoramento dessa competência entre professores da Rede Estadual de Ensino (SEDUC)

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Carina Cristina do Nascimento, Danielli Santos da Silva, Helerson de Almeida Balderramas, Regina Célia Baptista Belluzzo e Vânia Cristina Pires Nogueira Valente

Esta pesquisa analisa as práticas de Competência em Informação no cotidiano de professores da rede estadual vinculados à SEDUC, diante dos desafios intensificados pela pandemia, pela diversificação das plataformas de informação e pelo advento das IAs generativas, com metodologia quali-quantitativa baseada em questionário sobre suas experiências e necessidades informacionais. Os resultados indicam a necessidade de estratégias específicas de apoio às práticas docentes e fundamentam a proposição de diretrizes para o desenvolvimento da CoInfo, visando fortalecer as competências informacionais e as práticas pedagógicas.

Desespecialização, novos saberes e quebra de fronteiras: o trabalho dos comunicadores a partir do mapeamento de artigos do Intercom (2019-2013)

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Ana Flávia Marques da Silva, Cláudia Nonato, Fernando Felício Pachi Filho, Tania Caliari e Thaís Aiello

Este artigo apresenta uma pesquisa que é parte do Projeto Datificação da Atividade de Comunicação e Trabalho de Arranjos de Comunicadores . O objetivo é abordar o trabalho de comunicadores, buscando contemplar grupos profissionais distintos para compreender de forma ampla como a plataformização tem modificado suas atividades e se há distinções entre eles na relação com as tecnologias digitais. Para tanto, foram feitas buscas na base de dados dos Congressos Nacionais do Intercom, realizados entre 2019 e 2023, em artigos publicados nos anais do período, referentes a Grupos de Trabalho relacionados ao Jornalismo, Publicidade, Relações Públicas e Audiovisual.

Viewpoint on the Intersection Among Health Information, Misinformation, and Generative AI Technologies

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Luis Gonçalves

Este artigo analisa os rápidos avanços da inteligência artificial, como grandes modelos de linguagem e IA generativa, ressaltando que, embora ofereçam oportunidades, apresentam riscos para a criação, o consumo e a amplificação de informações, com impactos na saúde da população e na implementação de programas de saúde. Por meio da colaboração entre os grupos de trabalho da Federação Mundial de Associações de Saúde Pública, reúne perspectivas de jovens profissionais de saúde de cinco continentes para explorar o futuro da saúde pública e da IA no ambiente de informação em saúde em constante transformação, analisando a desinformação, o papel dos profissionais de saúde pública e da área médica nesse ecossistema informacional impulsionado pela IA e apresentando cinco recomendações para enfrentar a sobrecarga de informações, a propagação de informações errôneas e as mudanças nas práticas de saúde, na pesquisa, na ética e nas políticas e na governança.

Commentary on the Intersection Between Health Information, Misinformation, and Generative AI Technologies

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Luís Gonçalves

A inteligência artificial tem avançado rapidamente, especialmente com modelos de linguagem e IA generativa. Embora essas inovações tragam oportunidades, também apresentam riscos para a disseminação de informações, a saúde pública e a prestação de cuidados de saúde. Enfrentar esses desafios exige estratégias cuidadosas para profissionais, pacientes e formuladores de políticas. Este artigo, fruto da colaboração dos Grupos de Trabalho da WFPHA, reúne perspectivas de jovens profissionais de todo o mundo sobre o impacto da IA na saúde pública. Ele explora a desinformação, o papel da IA na saúde e conclui com cinco recomendações para lidar com a propagação de informações falsas, questões éticas e a necessidade de políticas adaptáveis em um cenário de informações em constante evolução.

Jornalismo periférico e plataformização: discurso de adesão, questionamentos e luta por sobrevivência

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Tânia Caliari, Cláudia Nonato e Fernando Felício Pachi Filho

Este artigo examina a palestra de um jornalista sobre o impacto das plataformas digitais em sua atuação. O objetivo é identificar adesão, questionamentos e resistência à plataformização do jornalismo. O evento, ocorrido em 2019, apresentou um projeto de distribuição de notícias criado por jornalistas periféricos de São Paulo, financiado pelo Google e pela Meta. A análise se baseia na relação entre plataformas e imprensa, considerando comunicação e trabalho. Utiliza referências da Ergologia e da Análise do Discurso para compreender as transformações do jornalismo e sua luta por autonomia.

O uso da ferramenta ChatGPT no suporte à educação e à produção acadêmica

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Vânia Valente

Este artigo analisa o uso do ChatGPT na educação e produção acadêmica, destacando seus benefícios e implicações. Foram realizados testes práticos e uma revisão da literatura mais recente (2023). O ChatGPT pode ser aplicado no ensino, promovendo a autonomia dos alunos e auxiliando professores. Na medicina, favorece a tutoria; na odontologia, sugere-se atualização curricular para incluir IA. Há preocupações éticas sobre autoria e plágio na produção acadêmica. Testes confirmam que seu conteúdo não é referência acadêmica, mas útil para práticas educacionais, exigindo debate crítico sobre seu uso responsável.

As múltiplas faces da Infodemia

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Luís Gonçalves

Este artigo revisa a literatura acadêmica sobre infodemia, abordando sua dimensão político-econômica, científica, sociotécnica e psicossocial, além de sua relação com a realidade brasileira. A infodemia se manifesta como um excesso problemático de informações sobre saúde, impactando cuidados individuais e coletivos e refletindo conflitos do capitalismo neoliberal periférico. Diferentes abordagens para enfrentá-la, algumas opostas, divergem dos princípios do SUS e da reforma sanitária, especialmente na participação política dos afetados. Conclui-se que a infodemia exige pesquisa interdisciplinar para fortalecer essa participação.

Implicações da datificação no trabalho dos comunicadores: embates discursivos no contexto da plataformização do trabalho

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro, Claudia Nociolini Rebechi, Cristiane Dias e Claudia Nonato

Este artigo discute os impactos da datificação no trabalho dos profissionais de comunicação, considerando a reestruturação dos processos produtivos no contexto da plataformização. A análise se baseia na questão: como a datificação altera as condições sociais da produção e os discursos dos comunicadores? As reflexões apresentadas são preliminares e resultam de pesquisas coletivas conduzidas pelo Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, com apoio da Fapesp. O estudo busca compreender as transformações do setor e os desafios enfrentados pelos profissionais diante dessas novas dinâmicas. Conclui-se que a infodemia exige pesquisa interdisciplinar para fortalecer essa participação.

Soberania na cadeia produtiva de IA: defesa dos recursos naturais e regulação do trabalho

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro

Este artigo discute o conceito de soberania, relacionando-o ao uso de recursos naturais, força de trabalho e dados da população brasileira. Esses elementos são centrais para o desenvolvimento da cadeia produtiva de tecnologias digitais e da Inteligência Artificial no país. A pesquisa baseia-se em fontes bibliográficas primárias e secundárias, articulando aspectos históricos, geopolíticos e laborais. Defende-se que a soberania só é viável quando ligada a essas dimensões. Diante da concentração global de poder, o Brasil enfrenta desafios regulatórios para proteger seus interesses e promover um desenvolvimento inclusivo.

Datificação das materialidades sensíveis: captura das atividades cotidianas de trabalhadores da comunicação

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro

Este artigo tem como objetivo definir os dados provenientes do trabalho de profissionais da comunicação que utilizam a internet e estão ligados a empresas de plataformas, especialmente as big techs. A questão central que orienta a análise é: como, por quem e com qual finalidade são coletados os dados de trabalhadores conectados à internet, que utilizam os serviços dessas plataformas digitais? A pesquisa em andamento, que embasa este estudo, está sendo realizada no Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, da Universidade de São Paulo.

Producción y circulación de la información periodística en el contexto de los embates con las plataformas

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro

O texto aborda os desafios enfrentados pelo jornalismo contemporâneo diante do controle exercido por grandes plataformas digitais, como Google e Meta, sobre a produção e circulação da informação. Discute-se a mercantilização do jornalismo, sua dependência das regras impostas por essas corporações e as estratégias de resistência adotadas por iniciativas independentes para preservar sua autonomia e relevância democrática.

Platform economy and journalism: another side to the precarious labor environment in Brazil

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro

Este artigo examina a precarização do trabalho dos jornalistas brasileiros no contexto da plataformização, destacando seus impactos na profissão com base nos dados da pesquisa Perfil do Jornalista Brasileiro 2021. Os resultados revelam que a maioria dos jornalistas atua na mídia digital e trabalha remotamente sob alta carga de estresse, enquanto muitos profissionais da comunicação assumem funções em redes sociais fora de suas atribuições, o que compromete sua saúde física e mental.

Assessing User Experience in Immersive Virtual Reality Environment: A review of interconnected terms and meanings

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Vânia Valente

Este estudo investigou fatores que influenciam a Experiência do Usuário (UX) em ambientes de Realidade Virtual Imersiva (IVR), utilizando uma abordagem interativa com testes de jogos e análise das respostas dos usuários. A pesquisa desenvolveu um framework para padronizar termos usados na avaliação da UX em IVR e resultou na criação de um questionário para medir essa experiência de forma mais consistente.

A influência das mídias sociais na comunicação empresarial moderna

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Vânia Valente

Este artigo analisa o impacto das redes sociais na comunicação empresarial, destacando sua evolução como ferramentas essenciais para marketing, engajamento e adaptação ao ambiente digital. As empresas que utilizam estrategicamente essas plataformas conseguem fortalecer suas marcas, interagir diretamente com o público e ajustar suas estratégias em tempo real, garantindo maior competitividade no mercado.

Critical data studies with Latin America: Theorizing beyond data colonialism

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Vânia Valente e Rafael Grohmann

O artigo propõe uma abordagem dos estudos críticos de dados na América Latina além do colonialismo de dados, destacando como o pensamento social da região pode enriquecer a compreensão da dataficação. Para isso, discute as contribuições de Lélia Gonzalez, teóricos da dependência e Enrique Dussel, relacionando suas perspectivas à soberania de dados, justiça de dados e construção de alternativas críticas no contexto global.

Jornalismo financiado por plataformas. Análise dos apoios concedidos aos arranjos alternativos às corporações de mídia

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Camila Acosta Camargo, Cláudia Nonato, Fernando Felício Pachi Filho e Thales Vilela Lelo.

O  artigo  discute  a  influência  das  empresas  de  plataforma  no  mercado  jornalístico,  com  ênfase  para  a  relação  estabelecida  entre  Google  e  Meta  e  os  arranjos  alternativos  às  corporações  de  mídia  no  Brasil.  Por  meio  da  triangulação  metodológica,  foram  mapeados  os  programas  de  financiamento  lançados  para  subsidiar  veículos  de  imprensa  e  realizadas  sete  entrevistas  semiestruturadas  com  representantes  das  iniciativas contempladas, visando compreender a influência das plataformas nos processos de trabalho dos comunicadores. Por fim, são analisadas as estratégias discursivas empregadas. Os resultados evidenciam o interesse das plataformas em reconfigurar a imprensa conforme suas lógicas operacionais.

Costuras discursivas sobre trabalho em facções têxteis na cidade

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Greciely Cristina da Costa

O presente artigo realiza uma análise das práticas de trabalho e discursos sobre e do trabalho na atualidade a partir do documentário “Estou me guardando para quando o carnaval chegar” (2019), de Marcelo Gomes. Neste documentário, observa-se, pelo funcionamento discursivo das imagens (Costa, 2018) e das declarações dos trabalhadores, como o trabalho têxtil, que é realizado em casa, desloca práticas históricas de trabalho, tragando o espaço da intimidade e do lazer, de modo a ocupar uma cidade inteira, o que faz com que ela seja significada como “a cidade do trabalho”. Ao menos até a chegada do carnaval.

Do dizível ao visível, ou vice-versa, e o processo discursivo de restituição simbólica em J

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Greciely Cristina da Costa

J é o título de um dos nove curtas-metragens do projeto Marco Universal do ICEM. Tem tem 13 minutos de duração e refere-se a um líder comunitário de uma das favelas do Rio de Janeiro que denuncia a milícia e procura proteção policial de várias maneiras. O curta-metragem põe em cena os esforços do personagem e o seu desfecho. Este pôr em cena é o ponto central da formulação do discurso do curta-metragem, o qual se torna objeto de análise de trabalho. Considerando que “formular é dar corpo aos sentidos” e que a formulação não se refere a palavra em si, mas a um processo da produção do discurso, no qual “a linguagem ganha vida” e “a memória se atualiza” (ORLANDI, 2001, p. 9), busca-se observar que região de sentidos é atualizada no/pelo discurso do curta-metragem na relação com o tema dos direitos humanos contíguo a J. Assim este trabalho se sustenta sob dois prismas, um mais teórico e outro analítico. O primeiro consiste em propor posicionar o curta-metragem como uma peça de linguagem e, como tal, preconizar seu processo discursivo, deslocando-o de um lugar de observação empírica, cujo enfoque poderia ser dado a sua função, para analisá-lo em seu funcionamento. E sob o prisma de análise, este trabalho tenta explorar, pela via da descrição no contraponto com a interpretação, a formulação de um visível inexoravelmente atrelado ao dizível, como instância de atualização do interdiscurso, isto é, de um corpo de traços sócio-históricos, exterior, anterior e alhures, que formam memória (PÊCHEUX, 2011 [1966]). Como resultado, observa-se o processo discursivo de restituição simbólica da violência.

Fostering Artificial Intelligence to Face Misinformation: Discourses and Practices of Automated Fact-Checking in Brazil

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Thales Lelo

This article examines the advancement of automated fact-checking in Brazil and investigates how artificial intelligence (AI) products shape publishers’ discourses and practices. First, it maps the field to identify how it has evolved throughout the years. Next, it draws on 30 official statements published by journalists and their tech partners, and seven semi-structured interviews with representatives from five websites. This article shows an emerging automation landscape in the Brazilian factchecking venture supported by the tech industry. Nonetheless, AI has challenged fact-checkers’ authority and increased the technologists’ influence over journalism.

Trabalho decente no contexto das plataformas digitais: uma pesquisa-ação do Projeto Fairwork no Brasil

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Claudia Nociolini Rebechi, Rafael Grohmann e Roseli Figaro

O propósito deste artigo é apresentar e discutir evidências empíricas do Projeto Fairwork no Brasil, que trata sobre o trabalho decente no contexto das plataformas digitais, a partir de dados coletados para o ano 1 do projeto (2021-2022). Criado e coordenado pelo Oxford Internet Institute, na Inglaterra, o projeto envolve parcerias com equipes de pesquisadores em trinta e nove países dos cinco continentes. A pesquisa-ação realizada no projeto é orientada por cinco princípios comuns do trabalho decente que possibilitam avaliar a atuação das empresas de plataforma: remuneração, condições de trabalho, contrato, gestão e representação justos. O percurso metodológico integra entrevistas com trabalhadores, desk research e reuniões estruturadas com representantes das empresas de plataforma. As evidências empíricas já levantadas demonstram que os trabalhadores vinculados a essas organizações no Brasil não são atendidos quanto aos requisitos mínimos do trabalho decente, reforçando a necessidade de um enfrentamento dos desafios regulatórios do trabalho plataformizado.

Anais de Eventos

As demissões de mulheres jornalistas de TV no contexto do neoliberalismo.

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Francisco de Assis, Cláudia Nonato

O trabalho sistematiza dados sobre o fenômeno da demissão em larga escala de jornalistas veteranos atuantes em grandes emissoras de TV brasileiras, com foco no corte de gênero. A partir de um mapeamento de informações circulantes em sites jornalísticos, foi identificado um expressivo número de demitidos no período pós-pandemia, fenômeno que atinge principalmente os trabalhadores maduros e os empurra para um cenário de incertezas – em muitos casos, para atuação autônoma –, sintoma do neoliberalismo. Em relação às mulheres, observou-se ainda que o processo demissional é mais cruel, porque relacionado a imputações que não recaem sobre os homens, como pressões estéticas

Processos de vulnerabilização, inteligência artificial e (re)produção de discursos

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Cristiane Costa Dias, Greciely Cristina da Costa

A questão central dessa proposta é refletir, a partir dos pressupostos teóricos da análise de discurso, sobre a produção da vulnerabilidade pelo digital. Tomando as tecnologias digitais como condição de produção dos discursos, como espaço de instauração de sentidos e constituição de sujeitos, no qual se estabelecem relações entre línguas, sociedade e história: como pensar a vulnerabilidade em condições sociais e históricas, nas quais a extração de dados gera capital para grandes corporações e serve para estruturar o nosso mundo global, sustentado em políticas neoliberais?  Este  trabalho se dedica à análise de um corpus constituído de peças de linguagem (Orlandi, 1996), cuja formulação se especifica pelo uso de ferramentas de inteligência artificial (IA), sobre temáticas tais como família, mulher, além de figuras públicas da política e da literatura brasileiras. A partir dessa análise, nosso gesto de interpretação se sustenta sobre as marcas discursivas que dão forma a processos e práticas de vulnerabilização estruturantes das relações sociais e que são naturalizados e reproduzidos por essas ferramentas.

Implicações do controle do jornalismo pelas empresas de plataformas sociodigitais

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro, Tania Caliari, Jaqueline Braz e Milene Eichelberger

Este artigo analisa como as grandes empresas de tecnologia, especialmente Google e Meta, controlam a cadeia de produção jornalística, num ambiente de plataformização e datificação do trabalho. Argumenta-se que essas corporações têm como base a comunicação, apropriam-se do conteúdo jornalístico, dos dados do processo produtivo e da subjetividade dos trabalhadores, ou seja, das materialidades sensíveis transformadas em dados . Esse cenário impõe novas implicações ao trabalho jornalístico, afetando a identidade profissional, valores deontológicos e a autonomia dos veículos. A pesquisa, de base bibliográfica e empírica, reflete sobre as consequências e implicações dessa conjuntura.

Datificação do trabalho de comunicação

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro, Luís Gonçalves

Nesta pesquisa em andamento, analisamos como a datificação e a heteromação impactam o trabalho dos comunicadores que utilizam softwares e plataformas digitais de empresas como Meta, Alphabet e Microsoft. A datificação refere-se à apropriação capitalista das informações geradas pelos usuários, enquanto a heteromação descreve a exploração oculta do trabalho humano complementar às tecnologias digitais. Para nossa investigação, propomos o conceito de “materialidades sensíveis”, que são os gestos, expressões e ações corporais e cognitivas dos trabalhadores, agora apropriados digitalmente como ativos intangíveis pelas plataformas. A pesquisa identifica três níveis dessa datificação: produtos comunicacionais, atividades específicas de produção e circulação, e interações sensoriais e cognitivas. Metodologicamente interdisciplinar, o estudo inclui entrevistas, análise de softwares e mapeamento sociotécnico das cadeias produtivas das empresas estudadas. O objetivo é contribuir para uma compreensão crítica do capitalismo de plataformas e apoiar os comunicadores na resistência política e regulatória frente à exploração intensificada pela datificação.

Mudanças na organização e sustentação dos arranjos jornalísticos alternativos e independentes

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro e Camila Acosta Camargo

O artigo analisa as transformações nos arranjos jornalísticos alternativos e independentes ao longo dos últimos dez anos, destacando como as dependências das ferramentas das big techs (Google e Meta) e de financiadores como fundações filantrópicas impactam a autonomia e a sustentabilidade desses meios. O estudo questiona o grau real de “alternatividade” e “independência” alcançado, dado o compromisso com essas fontes externas de apoio financeiro e tecnológico.

Condições de trabalho e saúde de jornalistas cearenses: entre a plataformização e a precarização

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Rafael Rodrigues da Costa

O artigo analisa as condições de trabalho e saúde dos jornalistas cearenses, explorando os impactos da plataformização no exercício da profissão. A pesquisa destaca as dificuldades enfrentadas pela categoria, como a precarização das relações de trabalho, os efeitos negativos para a saúde mental e as condições adversas impostas pela dependência de plataformas digitais para a produção jornalística.

Agenda para estudos do conceito de mediação no campo da comunicação: uma provocação a partir das reflexões sobre o trabalho mediado por plataformas

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Naiana Rodrigues da Silva, Rafael Rodrigues da Costa e Mayra Castro Vizentin

Neste artigo, faz-se uma revisão crítica do conceito de mediação sob uma visada materialista e dialética com o propósito de tensionar as balizas teóricas sobre as quais se assentam a ideia de mediação nos estudos de comunicação brasileiros, advindas sobretudo de uma verve mais culturológica. Com este movimento, propõe-se a construção de uma agenda de pesquisa para os estudos de recepção, circulação e usos sociais das mídias que vise a compreensão das transformações sociotécnicas que incidem sobre a produção e consumo midiáticos, dentre as quais destaca-se o trabalho dos comunicadores mediado pelas plataformas digitais.

Condições de saúde laboral no trabalho digital de jornalistas no Ceará

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Rafael Rodrigues da Costa

Cotejando os resultados de uma pesquisa pós-doutoral e os dados do Perfil do Jornalista Brasileiro 2021, este trabalho tem o objetivo de debater as condições de trabalho digital (Fuchs e Sandoval, 2014) de jornalistas do Ceará, com ênfase na saúde laboral dessa categoria profissional (Bulhões e Renault, 2016; Pontes e Lima, 2019). Os resultados apontam o rebaixamento das condições de saúde dos profissionais cearenses, expressa, por exemplo, pela piora da saúde mental dos jornalistas. Também são apontadas as peculiaridades das condições de saúde e bem-estar das mulheres jornalistas, a exemplo da ocorrência de assédios.

A materialidade dos sentidos: a análise de discurso como eixo de compreensão das relações de comunicação no mundo do trabalho

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Fígaro, Jamir Kinoshita e Daniela Ferreira de Oliveira.

A partir de revisão bibliográfica que mostra como as palavras, a linguagem e o pensamento são mobilizados para constituir as relações sociais, pretende-se pontuar a relevância da análise do discurso para se compreender as relações de comunicação no mundo do trabalho. Com base na perspectiva da ontologia do ser social e a análise de discurso, são exibidos e interpretados enunciados de trabalhadores de três pesquisas recentes. Com perfis profissionais distintos, os estudos trazem em comum as dificuldades, as dicotomias e os desafios inerentes a cada uma das atividades de trabalho investigadas. No cerne das discussões estão questões como o viés neoliberal que influencia a esfera laboral, os efeitos da plataformização do trabalho, além do duplo caráter do trabalho enquanto elemento que confere reconhecimento ao ser humano e atribui valor de uso à atividade desenvolvida.

Datificação do trabalho de comunicação

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Fígaro e Luís Gonçalves

Todas as interações humano-computador (IHC) – teclar no WhatsApp, perguntar à Alexa, guiar-se pelo Waze – são registradas na forma de dados digitais para duas finalidades: (1) retroalimentação do sistema (aprimoramento ou reconhecimento das preferências do usuário); e (2) atuarem como ativos intangíveis para a produção de bens de capital (no caso, as IA). Autores de diferentes perspectivas têm chamado este processo de datificação (Van Dijck, 2017). Necessária, lucrativa e desregulada, a datificação permite que o modelo de negócios de aplicações de IA objetivem primordialmente a produção de dados de IHC e não a satisfação dos usuários (Zuboff, 2019). Então, como descrever essas tecnologias e as relações socioeconômicas que elas implicam? O “Projeto Datificação da atividade de comunicação e trabalho de arranjos de comunicadores” (CPCT/ECA-USP) busca compreender como esse processo ocorre no uso de ferramentas digitais de produção e veiculação de produtos de comunicação. Como esta datificação apreende o saber-fazer dos comunicadores e como ela condiciona suas atividades e seus produtos? Na etapa atual, buscamos identificar a realidade sociotécnica, psicossocial e político-econômica da cadeia global de produção e consumo de dados a qual a datificação do trabalho de comunicação está integrada, bem como as categorias teóricas capazes de representar esse fenômeno.

Datificação do trabalho de comunicação

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Fígaro e Luís Gonçalves

Discutimos o processo de datificação da interação humano-computador (IHC), com foco no trabalho dos comunicadores. Trata a datificação como processo produtivo que envolve diferentes níveis de coleta e tratamento de dados. As materialidades sensíveis são a tradução do que se transforma em dados. O conceito recobre os dados captados no ato do trabalho e toda a subjetividade de quem trabalha; as etapas, métodos e formas técnicas do processo produtivo; e seus produtos. Essa riqueza alimenta bancos de dados que compõem os bens de capital das poderosas empresas que monopolizam a infraestrutura de conexão à internet.

Triste fim da diversidade no mundo do trabalho: uma questão de soberania epistêmica?

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Cláudia Nonato

Nos últimos anos, a questão da diversidade tem sido incorporada à lógica do mundo do trabalho, tanto em relação aos processos produtivos, quanto em relação à representação, inclusive no trabalho plataformizado. Pressionadas por movimentos sociais que surgiram principalmente a partir de 2019, como o Black Lives Matter (após o assassinato de George Floyd), empresas estadunidenses passaram a incentivar e criar cargos de funções e iniciativas de liderança DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) em grandes corporações. Tal fato levou as big techs, como Microsoft, Zoom, Google e Meta, a se comprometeram em investir em programas para garantir diversidade entre seus funcionários, duplicando o número de pessoas negras em cargos de liderança até 2025. Porém essa prática não se realizou, por conta de barreiras impostas pelas próprias organizações, pela dinâmica do trabalho no modo de produção capitalista (principalmente pelas demandas e critérios gerados pelo neoliberalismo), entre outros. Vale lembrar que os problemas estruturais da sociedade se fazem presentes e atravessam o mundo digital, tanto na dimensão simbólica, quanto na dimensão material. Fato é que, desde 2023, essas mesmas big techs começaram a extinguir as equipes de DEI, cortando programas de diversidade e demitindo equipes, reforçando uma tendência que ganha força dos Estados Unidos: o abandono da agenda ESG, movimento que também chegou ao Brasil. Diante dessas questões, a nossa proposta é apresentar uma pesquisa exploratória, ainda em fase inicial, que pretende discutir essa influência e os motivos da mudança em tão curto espaço de tempo: seria uma questão de soberania epistêmica, ou seja, a capacidade de um país imperialista de influenciar e exercer o controle sobre seu próprios processos epistêmicos em países colonizados, (Oliveira, 2024), com o objetivo de solapar as pautas identitárias, diminuindo assim as chances de ascensão de grupos minoritários ao poder? Além disso, esses cortes ocorrem à medida que a indústria de tecnologia aposta na inteligência artificial. Com menos vozes diversas representadas no desenvolvimento de IA, os produtos resultantes podem ser menos precisos ou mais prejudiciais aos usuários? Pretende-se, com esse estudo, contribuir para a disseminação de dados, conteúdo crítico e agendamentos sobre o tema diversidade étnico-racial no mundo do trabalho digital.

Elementos para pensar a datificação do trabalho

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Fernando Felício Pachi Filho

Entendida como processo que corresponde à transformação da ação social em dados on line quantificados e que permitem o monitoramento e análise preditiva, a datificação deve ser analisada em suas etapas para compreendermos como ela incide na atividade de trabalho. Neste artigo, procuramos iniciar esta reflexão para formularmos hipóteses e estratégias de observação no mundo do trabalho.

Cenografias de desempenho como signos da reprodução social e de uma nova domesticidade em meio ao capitalismo de plataformas

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Naiana Rodrigues

Este artigo tem como objetivo analisar perfis de influenciadoras no Instagram que se assumem como donas de casa a partir dos debates críticos e marxistas sobre a reprodução social e da categoria cenografias de desempenho, um construto analítico que congrega a análise do discurso e os estudos sobre capitalismo. O objetivo é identificar como estas cenografias, construídas para serem difundidas nas plataformas de redes sociais, evocam uma nova domesticidade e atualizam uma imagem da mulher conservadora.

II Workshop Datificação da atividade de Comunicação e Trabalho de arranjos de comunicadores

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Fígaro, Rafael Grohmann, André C. Ponce de Leon F.de Carvalho, Vânia Valente, Cecilia Muñoz Cancela, Elena Ficher, Laura Arcuri, Jamir Kinoshita, Mayra Castro, Naiana Rodrigues, Rafael Costa, Cristiane Costa Dias, Daniela Ferreira de Oliveira, Diego García Ramírez, Janaína Visibeli Barros, Claudia Nociolini Rebechi, Gilson Raslan, Greciely Cristina da Costa, Luis Henrique Gonçalves, Vânia Valente, Yonara Santana, Alexandre Zago Boava, Camila Acosta Camargo, Gabriel Soares, João Augusto Moliani, Ana Flávia Marques, Cláudia Nonato, Fernando Felício Pachi Filho, Tania Caliari, Thaís Aiello, Afonso Albuquerque, Diego Garcia Ramirez, Thales Lelo, Marcelo Alves, Raquel Recuero

 

Este caderno é composto da programação completa do evento acompanhada pelos resumos das conferências, mesas de debates e palestras.

Capítulos de Livros

PL das Fake News: uma análise de como WhatsApp e Telegram reagiram à proposta.

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Milene Eichelberger

Este capítulo analisa a repercussão do PL 2630, conhecido como PL das Fake News, que propõe estabelecer normas de transparência para as redes sociais. As autoras discutem seus desdobramentos no cenário político nacional e as formas de atuação das empresas de tecnologia, especialmente Telegram e WhatsApp, ao utilizarem seus canais de comunicação com os usuários para se posicionarem contra o projeto.

Provocações e desafios para pensar a “IA”

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro

Neste capítulo, a autora questiona  a noção de “inteligência artificial” a partir de sua base material, política e discursiva, analisando como a cadeia produtiva dos dados é invisibilizada. Ela discute os impactos desse modelo sobre o trabalho, a comunicação e a soberania informacional brasileira, destacando a necessidade de regulação, valorização dos trabalhadores e construção de um projeto tecnocientífico orientado ao desenvolvimento nacional e aos direitos dos cidadãos.

A cidadania contemporânea na sociedade digital

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Vânia Valente

Este capítulo analisa a cidadania contemporânea na sociedade digital, enfocando como as tecnologias influenciam a participação cívica e a inclusão social. Os autores discutem os desafios e as oportunidades para a construção de uma cidadania ativa e acessível no contexto digital.

O uso humano de seres humanos no capitalismo de plataformas

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Luís Henrique do Nascimento Gonçalves

Neste capítulo, o autor explora como o capitalismo de plataformas utiliza seres humanos como mercadoria, analisando a exploração do trabalho digital nas plataformas online. Ele discute as implicações sociais e econômicas dessa prática, destacando as formas de dominação e controle no contexto da economia digital.

O problema dos três usuários – implicações entre psicologia, IA e economia política

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Luís Henrique do Nascimento Gonçalves

Este capítulo analisa o “problema dos três usuários” e suas implicações nas interações entre psicologia, inteligência artificial (IA) e economia política. O autor discute como diferentes atores (usuários, plataformas e algoritmos) moldam as dinâmicas sociais e econômicas, destacando as consequências psicológicas e políticas do uso da IA.

O problema dos três usuários – implicações entre psicologia, IA e economia política

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Luís Henrique do Nascimento Gonçalves

Neste capítulo, o autor explora como o capitalismo de plataformas utiliza seres humanos como mercadoria, analisando a exploração do trabalho digital nas plataformas online. Ele discute as implicações sociais e econômicas dessa prática, destacando as formas de dominação e controle no contexto da economia digital.

O trabalho vivo humano dissimulado pela metáfora da “inteligência artificial”

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Claudia Nociolini Rebechi, Rafael Grohmann e Roseli Figaro

Este capítulo discute como a metáfora da “inteligência artificial” oculta o trabalho humano vivo envolvido nos processos tecnológicos, especialmente nas plataformas digitais. Os autores argumentam que essa metáfora desvia a atenção das condições de trabalho e das desigualdades sociais relacionadas à automação e à digitalização.

Evaluación del trabajo en la Economía de Plataforma: el Proyecto Fairwork en Brasil y América Latina

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Claudia Nociolini Rebechi, Ana Flávia Marques da Silva e Roseli Figaro

Este capítulo examina as condições de trabalho na economia de plataformas, focando no projeto Fairwork no Brasil e América Latina para avaliar a justiça e a dignidade do trabalho digital na região. A pesquisa destaca as desigualdades enfrentadas pelos trabalhadores e propõe estratégias para melhorar as práticas das plataformas, considerando o impacto das políticas digitais na soberania popular.

Evaluating Work in the Platform Economy

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Claudia Nociolini Rebechi, Ana Flávia Marques da Silva, Rafael Grohmann e Roseli Figaro

Este capítulo avalia as condições de trabalho na economia de plataformas, com foco nas disparidades e desafios enfrentados pelos trabalhadores em plataformas digitais. A pesquisa analisa as implicações sociais e políticas dessas plataformas, destacando questões de soberania popular, regulamentação e os impactos no mercado de trabalho.

How Fair Are Digital Labor Platforms in Brazil? Evidence from Fairwork Brazil.

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Claudia Nociolini Rebechi, Rafael Grohmann e Roseli Figaro

Este capítulo analisa a equidade das plataformas digitais de trabalho no Brasil, utilizando dados do estudo Fairwork Brasil para avaliar as condições de trabalho em plataformas de economia gig. A pesquisa destaca a desigualdade e a falta de dignidade, justiça e cuidado nas relações de trabalho mediadas por essas plataformas, propondo melhorias nas políticas e práticas do setor.

Competência em informação, midiática e digital para a construção do conhecimento sob o enfoque da aprendizagem significativa

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Vânia Valente

Este capítulo discute a importância das competências em informação, mídia e digital para a construção do conhecimento, enfatizando a aprendizagem significativa. Os autores exploram como essas competências podem ser desenvolvidas e aplicadas no contexto da inteligência artificial, promovendo uma gestão mais eficiente da mídia e da tecnologia na sociedade contemporânea.

Da gestão da mídia e tecnologia na era digital: novas abordagens e enlaces entre a inteligência artificial e as competências em informação, midiática e digital

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Vânia Valente

Este capítulo explora a interseção entre inteligência artificial e competências em informação, mídia e digital, analisando novas abordagens para a gestão da mídia e tecnologia na era digital. Os autores discutem como essas competências são essenciais para a adaptação à sociedade contemporânea, abordando desafios e oportunidades gerados pela IA na mediação da informação.

Free Labor and Data Labor in the Digital Economy

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Rafael Grohmann

Este capítulo analisa o trabalho gratuito e o trabalho de dados na economia digital, destacando como usuários e trabalhadores contribuem com informações e conteúdo sem remuneração direta. Ele discute as implicações desse modelo para a exploração do trabalho, a extração de valor dos dados e os desafios para a regulação e a justiça social no ambiente digital.

Comunicação e trabalho: uma trajetória de estudos nas Ciências da Comunicação

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Roseli Fígaro

O capítulo faz uma retrospectiva do desenvolvimento do binômio comunicação e trabalho. Um construto teórico e metodológico multidisciplinar desenvolvido por Roseli Fígaro em suas pesquisas e ampliado pelas investigações coletivas e individuais realizadas pelos pesquisadores do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT), sediado na Escola de Comunicação e Artes (ECA) há 20 anos.

Trabalho por plataformas digitais: Do aprofundamento da precarização à busca por alternativas democráticas

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Rafael Grohmann

Entregadores, motoristas, anotadores de dados para inteligência artificial, criadores de conteúdo para redes sociais, trabalhadoras domésticas… Todas essas atividades de trabalho – e muitas outras – têm sido executadas por meio de plataformas digitais. Isso tem transformado setores que já existiam e criado outros, por meio de mecanismos poderosos de dependência e controle. A plataformização do trabalho – ou seja, o crescente uso de plataformas digitais para executar atividades de trabalho – tende a generalização para toda a economia, com diferentes perfis e contextos. Isso envolve formas de extração de dados e automatização de processos com resultados nada promissores para os trabalhadores. Trabalho por plataformas digitais oferece uma introdução crítica a este fenômeno explicando os principais conceitos, apresentando quem trabalha por plataformas digitais e quais os fundamentos e histórias por trás disso. Nem tudo é exatamente novo como parece e muitas vezes as plataformas concorrem para intensificar desigualdades já existentes. Mas o que fazer em relação a isso? Quais os caminhos para uma economia digital mais digna e democrática? Apoiados tanto em autores de referência como em exemplos práticos, os professores e pesquisadores Rafael Grohmann e Julice Salvagni discutem algumas possibilidades, como a regulação, a organização de trabalhadores e a construção de alternativas ao trabalho por plataformas, como o cooperativismo de plataforma e as plataformas de propriedade de trabalhadores. O livro é parte da coleção Democracia Digital, organizada pelo professor e sociólogo Sergio Amadeu da Silveira.

Mediatisation and Platform Labour

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Rafael Grohmann

This book focuses on key challenges related to conducting research on mediatisation, presenting the most current theoretical, empirical, and methodological challenges and problems, addressing ignored and less frequently discussed topics, critical and controversial themes, and defining niches and directions of development in mediatisation. With a focus on the under-representation of certain topics and aspects, as well as methodological, technological, and ethical dilemmas, the chapters consider the main critical objections formulated against mediatisation studies and exchange critical positions. Moving beyond areas of common focus – culture, sport, and religion – to emerging areas of study such as fashion, the military, business, and the environment, the book then offers a critical assessment of the transformation of fields and the relevance of new and dynamic (meta)processes including datafication, counter-mediatisation, and platformisation. Charting new paths of development in mediatisation, this book will be of interest to scholars and students of mediatisation, media studies, media literacy, communication studies, and research methods.

Comunicação, trabalho, tecnologia: prescrições no contexto da plataformização do trabalho

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Claudia Nociolini Rebechi

Este livro é indicado para quem deseja iniciar ou aprofundar seus estudos na área de Comunicação Estratégica. Dividido em quatro partes, orienta, de forma didática, os passos para a construção de estudos teóricos e/ou aplicados em Comunicação Organizacional. Os capítulos foram escritos seguindo uma forma de diálogo a partir de reflexões das(os) professoras(es) e parceiras(os) do curso de Especialização de Comunicação Estratégica e Gestão de Marcas da UFBA sobre as suas principais áreas de estudo e atuação profissional. Essa publicação faz parte das comemorações pelos dez anos de criação, em 2013, da Especialização em Comunicação Estratégica e Gestão de Marcas, na Faculdade de Comunicação da UFBA.

As Audiências em rede e seus desafios teórico-metodológicos

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Naiana Rodrigues da Silva e Rafael Rodrigues da Costa

O capítulo faz uma reflexão teórica e metodológica sobre as pesquisas de recepção realizadas a partir da ambiência digital. A partir de um levantamento dos estudos nessa seara realizados no Brasil nos últimos quatro anos, novas categorias de pesquisa são propostas assim como novos olhares sobre os objetos midiáticos situados nas plataformas digitais.

Inteligência Artificial no ensino superior: da transformação digital aos desafios da contemporaneidade

Ano: 2023
Pesquisadores envolvidos: Vânia Valente

Este artigo tem como objetivo apresentar os elementos convergentes da discussão que tomou grande  importância  no  cenário  global  nos  primeiros  meses  de  2023,  acerca  do  uso  das  ferramentas  de  Inteligência  Artificial  – IA,  como  o  ChatGPT,  e  as  implicações  que  podem  ocorrer  a  partir  do  uso  inapropriado  desta  ferramenta.  São  abordados  os  pontos  de  vista  dntes e como estes observam o futuro de suas profissões, bem como aspectos relacionados aos algoritmos na transformação digital vivenciada nas últimas décadas e as desigualdades que o  uso  das  tecnologias  potencializam  em  economias  fragilizadas  e  historicamente  desiguais como   a   brasileira.   O   estudo   apresenta   além   da   revisão   de   literatura   sobre   os   temas correlacionados uma análise comparativa entre o próprio ChatGPT e uma pesquisa realizada em com docentes do ensino superior no Brasil sobre a utilização da IA no ensino superior.

Editorial

Meta, Microsoft e Alphabet e a datificação da atividade de comunicação e trabalho: sumário executivo de pesquisa

Ano: 2025
Pesquisadores envolvidos: João Augusto Moliani; Janaina Visibeli Barros; Luis Henrique Gonçalves

OS EMBATES COM AS DETERMINAÇÕES DAS EMPRESAS DE PLATAFORMAS

Este livreto traz um conjunto de informações, produzidas a partir de pesquisa documental e análise de dados, sobre as organizações Microsoft, Alphabet e Meta, especialmente suas plataformas e subsidiárias. Elas foram selecionadas por serem consideradas as que mais datificam o trabalho de comunicadores. Chegou-se a essa conclusão após levantamento de informações das mais variadas plataformas de comunicação e trabalho e inúmeros debates e discussões entre os pesquisadores.

A comunicação e o mundo do trabalho entrelaçados às transformações tecnológicas capitalistas do nosso tempo

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Figaro, Claudia Nociolini Rebechi

O texto analisa a relação entre comunicação, trabalho e transformações tecnológicas no capitalismo atual. Destaca como a digitalização e a hegemonia das plataformas alteram a organização do trabalho, intensificando a exploração e a coleta de dados. A comunicação é essencial nesse modelo, pois estrutura a gestão algorítmica do trabalho. A precarização das condições dos comunicadores e a dissolução de fronteiras entre áreas profissionais geram desafios para a formação acadêmica. Diante disso, é fundamental fortalecer a soberania informacional, regulando as plataformas e promovendo alternativas que valorizem o conhecimento e os direitos dos trabalhadores.

Le journalisme, une profession de combats

Ano: 2024
Pesquisadores envolvidos: Roseli Fígaro

O texto analisa o jornalismo como uma profissão marcada por diversos combates, desde a defesa da liberdade de imprensa e da independência profissional até a luta contra a desinformação e a precarização do trabalho. Além disso, discute as tensões entre o engajamento dos jornalistas em causas sociais e políticas e a busca pela objetividade, destacando os desafios contemporâneos da profissão.

Buscar