A questão central dessa proposta é refletir, a partir dos pressupostos teóricos da análise de discurso, sobre a produção da vulnerabilidade pelo digital. Tomando as tecnologias digitais como condição de produção dos discursos, como espaço de instauração de sentidos e constituição de sujeitos, no qual se estabelecem relações entre línguas, sociedade e história: como pensar a vulnerabilidade em condições sociais e históricas, nas quais a extração de dados gera capital para grandes corporações e serve para estruturar o nosso mundo global, sustentado em políticas neoliberais? Este trabalho se dedica à análise de um corpus constituído de peças de linguagem (Orlandi, 1996), cuja formulação se especifica pelo uso de ferramentas de inteligência artificial (IA), sobre temáticas tais como família, mulher, além de figuras públicas da política e da literatura brasileiras. A partir dessa análise, nosso gesto de interpretação se sustenta sobre as marcas discursivas que dão forma a processos e práticas de vulnerabilização estruturantes das relações sociais e que são naturalizados e reproduzidos por essas ferramentas.
Processos de vulnerabilização, inteligência artificial e (re)produção de discursos