Datificação do trabalho de comunicação

Todas as interações humano-computador (IHC) – teclar no WhatsApp, perguntar à Alexa, guiar-se pelo Waze – são registradas na forma de dados digitais para duas finalidades: (1) retroalimentação do sistema (aprimoramento ou reconhecimento das preferências do usuário); e (2) atuarem como ativos intangíveis para a produção de bens de capital (no caso, as IA). Autores de diferentes perspectivas têm chamado este processo de datificação (Van Dijck, 2017). Necessária, lucrativa e desregulada, a datificação permite que o modelo de negócios de aplicações de IA objetivem primordialmente a produção de dados de IHC e não a satisfação dos usuários (Zuboff, 2019). Então, como descrever essas tecnologias e as relações socioeconômicas que elas implicam? O “Projeto Datificação da atividade de comunicação e trabalho de arranjos de comunicadores” (CPCT/ECA-USP) busca compreender como esse processo ocorre no uso de ferramentas digitais de produção e veiculação de produtos de comunicação. Como esta datificação apreende o saber-fazer dos comunicadores e como ela condiciona suas atividades e seus produtos? Na etapa atual, buscamos identificar a realidade sociotécnica, psicossocial e político-econômica da cadeia global de produção e consumo de dados a qual a datificação do trabalho de comunicação está integrada, bem como as categorias teóricas capazes de representar esse fenômeno.

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