Nos últimos anos, a questão da diversidade tem sido incorporada à lógica do mundo do trabalho, tanto em relação aos processos produtivos, quanto em relação à representação, inclusive no trabalho plataformizado. Pressionadas por movimentos sociais que surgiram principalmente a partir de 2019, como o Black Lives Matter (após o assassinato de George Floyd), empresas estadunidenses passaram a incentivar e criar cargos de funções e iniciativas de liderança DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) em grandes corporações. Tal fato levou as big techs, como Microsoft, Zoom, Google e Meta, a se comprometeram em investir em programas para garantir diversidade entre seus funcionários, duplicando o número de pessoas negras em cargos de liderança até 2025. Porém essa prática não se realizou, por conta de barreiras impostas pelas próprias organizações, pela dinâmica do trabalho no modo de produção capitalista (principalmente pelas demandas e critérios gerados pelo neoliberalismo), entre outros. Vale lembrar que os problemas estruturais da sociedade se fazem presentes e atravessam o mundo digital, tanto na dimensão simbólica, quanto na dimensão material. Fato é que, desde 2023, essas mesmas big techs começaram a extinguir as equipes de DEI, cortando programas de diversidade e demitindo equipes, reforçando uma tendência que ganha força dos Estados Unidos: o abandono da agenda ESG, movimento que também chegou ao Brasil. Diante dessas questões, a nossa proposta é apresentar uma pesquisa exploratória, ainda em fase inicial, que pretende discutir essa influência e os motivos da mudança em tão curto espaço de tempo: seria uma questão de soberania epistêmica, ou seja, a capacidade de um país imperialista de influenciar e exercer o controle sobre seu próprios processos epistêmicos em países colonizados, (Oliveira, 2024), com o objetivo de solapar as pautas identitárias, diminuindo assim as chances de ascensão de grupos minoritários ao poder? Além disso, esses cortes ocorrem à medida que a indústria de tecnologia aposta na inteligência artificial. Com menos vozes diversas representadas no desenvolvimento de IA, os produtos resultantes podem ser menos precisos ou mais prejudiciais aos usuários? Pretende-se, com esse estudo, contribuir para a disseminação de dados, conteúdo crítico e agendamentos sobre o tema diversidade étnico-racial no mundo do trabalho digital.
Triste fim da diversidade no mundo do trabalho: uma questão de soberania epistêmica?